175 anos de Filarmónica Ferreirense ao serviço da cultura (c/ vídeo)

A OvoTV esteve à conversa com Dulce Figueiredo, Presidente da Sociedade Filarmónica Ferreirense

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A Filarmónica Ferreirense comemorou hoje o seu 175 aniversário, com um almoço convívio entre músicos, diretores, sócios, amigos e convidados.

Com uma noite com concertos memoráveis no Centro Cultural de Ferreira do Zêzere, com a atuação da Banda da Filarmónica Idanhense, Adufeiras do Rancho Etnográfico de Idanha-a-Nova, Orquestra de Cordas da Casa do Povo de Ferreira do Zêzere e da Banda da Sociedade Filarmónica Ferreirense.

Ferreira do Zêzere recebeu pela manhã uma arruada pelas ruas da vila, seguido de uma romagem ao cemitério e de uma missa solene por intenção dos músicos, diretores e sócios.

O CRIFZ abriu as suas portas para a realização do almoço-convívio entre os presentes, com Dulce Figueiredo a prestar homenagem a quatro pessoas que lutaram, lado a lado durante muitos anos, para que este aniversário fosse possível e não um momento esquecido na história, assim como homenageou o Professor Manuel António e a sua esposa, que além de ligados à Filarmónica, celebraram igualmente o seu 40º aniversário de casamento.

175 anos de Filarmónica Ferreirense

A OvoTV esteve à conversa com Dulce Figueiredo, Presidente da Associação Filarmónica Ferreirense.

OvoTV: 175 anos. O que é comemorar 175 anos?

Dulce Figueiredo: É uma boa pergunta… é assim uma alegria de conseguirmos manter aquilo que alguém há muitos anos imaginou, criou, fundou, sobretudo fundou e manter isso e conseguir manter, no verdadeiro sentido da palavra é o que nos dá a força de continuar.

OT: Naquele tempo em que a Filarmónica foi fundada, Portugal passava um período político de certa maneira conturbado. Acha que a música e uma saudável rivalidade com o Carril, com a Filarmónica deles fundada um ano antes resultou? A música foi um refúgio?

DF: Resultou e curiosamente, ainda bem que fala nisso, porque quando comecei a fazer parte também desta Filarmónica, repare que não sou ferreirense, sou ferreirense de concelho, mas não sou ferreirense de freguesia e eu estava mais ligada à Filarmónica da Frazoeira, tanto que todos os meus irmãos lá tocaram, mas quis Deus o destino, como a minha mãe precisava de mim, nunca me deu muita oportunidade de ir para lá, olhe, agora venho desta forma, mas isto para dizer quando eu vim para cá, para Ferreira e me pediram para ajudar, ainda antes de integrar os corpos diretivos, eu encontrei uma grande rivalidade da Filarmónica de Ferreira com a Filarmónica da Frazoeira. Isso causou-me alguma tristeza, alguma nostalgia, porque a Frazoeira também me dizia muito e tentei sempre que isso não existisse, rivalidade com outras associações e muito menos com a nossa congénere da Frazoeira e isso não existe, até porque hoje os músicos são todos amigos, os diretores todos se dão bem, também estou ligada por laços familiares e por sangue à Frazoeira, mas cada um é como nas nossas famílias, eu por tentar puxar pela minha família, não vou não querer que o meu irmão do lado faça o mesmo com a dela, com a família dele, antes pelo que contrário, puderem estarmos bem, não estamos mal. É a minha maneira de estar, a minha ideia e esta minha posição de transmito sempre. Posso dar um exemplo, havia outra rivalidade, com o Sport Club… era uma rivalidade, que qualquer coisa que eu também nunca concordei, porque as duas associações fazem parte do concelho, uma está mais ligada mais ao desporto, outra mais à cultura, por existir uma, não tem de deixar de existir outra. Essa rivalidade, se é que houve, quando realmente foi fundada a Filarmónica, pode ter sido salutar. Eu hoje vejo a rivalidade nesse sentido, não é positiva, é negativa e isso acontece.

OT: Há pouco falou no discurso que às vezes apetece-lhe bater a porta. A Filarmónica passou por altos e baixos. Perspectivas para que no futuro isso não aconteça?

DF: Não há possibilidades que isso não possa acontecer, porque a maior dificuldade é a parte humana, sempre, sempre. A adesão de novos elementos e a persistência dos elementos, porque muita gente por ali tem passado, muita gente podia estar a tocar na Filarmónica, ninguém os mandou embora, alguns ainda hoje não sei porque saíram, outros que nunca entregaram a farda e estamos na expectativa que voltem e o músico não se faz num dia, investimos muito neles, investimos em termos monetários e em trabalho e muito tempo que os diretores também perdem, porque damos transporte, ir buscá-los, ir pô-los, acompanhá-los e de um momento para o outro, o músico desaparece e quando eles desaparecem e vão tocar para outra Filarmónica, a mim pessoalmente, não me incomoda tanto, mas quando um músico andou anos e anos a preparar-se e de repente abandona simplesmente, custa-me, até porque alguns eram bons músicos e fizeram isso, nem sempre ficaram no melhor caminho. Essa é uma grande preocupação minha.

OT: E hoje em dia, cativar os jovens? Novos músicos?

DF: Os jovens hoje tem muita coisa a aliciá-los, muita coisa mesmo e às vezes querem ir a tudo, há pais que põe os filhos em tudo, porque há quem se demita da função de pai e mãe e eles acabam por andar, chuta de um lado, chuta do outro e nunca se dedicam a nada como deve de ser. Também se nota hoje essa nova vertente que existe na sociedade. Na música é preciso persistência, é preciso gosto e estas coisas, às vezes, também se vão cultivando e nem sempre isso acontece.

OT: E perspetivas para os próximos 175 anos?

DF: Ah, ao menos que sejam como foram os que passaram, porque a Filarmónica tem uma sede própria, embora pequenina e lá não façamos os ensaios porque não tem dimensão para isso, mas já foi depois de eu estar lá que ela foi toda reconstruída. Os instrumentos vai-se tentando ter o suficiente, o básico, tem os fardamentos, às vezes lá se anda a aguentar mais um bocadito, porque é tudo coisas muito caras, mas temos bons amigos, a Filarmónica tem bons amigos que nos ajudam como deve ser. Acima de tudo, isso.

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