8ª Gala de Fado em Ferreira do Zêzere

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8ª Gala de Fado em Ferreira do Zêzere

No próximo dia 17 de fevereiro decorrerá a 8ª Gala de Fado de Ferreira do Zêzere, que terá como convidados os fadistas Jorge Fernando, Ana Fernandes e Elvira Roldão, numa homenagem a Amália Rodrigues.

Os fadistas serão acompanhados à viola por Jorge Fernando, à viola baixo por Gilberto Silva e à guitarra portuguesa por Custódio Castelo.

Depois do sucesso dos anos anteriores, é novamente um dos destaques da Gala de Fado, “Acordeon & Fado”, com o poeta cantor Jorge Roberto e Júlio Vitorino.

Se Ana Fernandes é uma das presenças habituais nesta Gala de Fado, que trás até à Capital do Ovo um dos símbolos do nosso país, Elvira Roldão é uma fadista também muito conhecida na região e um dos rostos habituais do Cantinho do Fado em Tomar… Por sua vez Jorge Fernando, tem entrado nas nossas vidas por diversos meios, sem que muitas vezes o saibamos. Mas talvez muitos recordem o Umbadá, música que levou ao Festival RTP da Canção em 1985.

Foi viola de Amália e acompanhou os maiores do fado como Fernando Maurício, António Pinto Basto ou Celeste Rodrigues. Ajudou a lançar fadistas como Mariza, Ana Moura ou Camané. É um autor requisitado e dizem que uma letra dele é imediatamente identificável.

Com apenas 16 anos já compunha as letras e as melodias que o acompanhariam até hoje, com 59. É raro o espetáculo em que não canta Boa Noite, Solidão, a primeira canção que escreveu, do primeiro álbum de fado que lançou, Coisas da Vida, em 1988.

Tocou com Amália, Fernando Maurício, Alcino Frazão, Maria da Fé ou Celeste Rodrigues e escreveu canções para Ana Moura, Mariza, Camané. Colaborou com Sam the Kid, Virgul ou Lucio Dalla. O seu toque como produtor em estúdio e a sensibilidade das suas letras são ambos reconhecidos no meio em partes iguais.

A história de Jorge Fernando começa em Lisboa, em 1957, quando nasceu, e no Barreiro, onde viveu com os pais e onde mora até hoje. O pai não era presença assídua e essa ausência seria estímulo para letras mais introspetivas.

«Só mais tarde percebi que essa falta do meu pai iria condicionar tudo o que eu vim a fazer. O meu pai era camionista. Passava longas temporadas fora e até foi para o Brasil. Eu também fui, mas voltei passado um ano. Ele ficou lá. A partir dos 8 anos até aos 16 vivi com os meus avós e a minha mãe, no Barreiro.» Isso foi decisivo para lhe despertar o interesse pela canção nacional.

Nunca mais a largou, apesar de ter fama de ser bom de bola. Chegou a ser internacional júnior no 1º de Maio Futebol Clube Sarilhense, da Moita, mas uma lesão afastou-o do campo. «Acho que sempre soube que a minha vida passava pela música. Jogava pelo divertimento. Descobri muito cedo o meu caminho.»

Mas o caminho era longo e nessa altura implicava apanhar um barco e um comboio todos os dias do Barreiro para Cascais para tocar numa casa de fado com o guitarrista Alcino Frazão. Jorge Fernando tinha 19 anos.

Para voltar para casa, esperava pelo primeiro comboio, das seis da manhã. «Eram tempos incríveis», relembra o músico com saudade. «Eu era novo e não ligava ao cansaço. Eu queria era tocar.»

A mãe tinha outra opinião. Queria que o filho fizesse como toda a gente. «Alfredo Marceneiro era Alfredo Duarte. Marceneiro era a profissão. Todos os fadistas tinham ocupação. Era o que também se esperava de mim.» Só mais tarde a mãe aceitou, com a proximidade a Amália Rodrigues, que o filho devia seguir a sua vocação.

Amália é um capítulo à parte na vida de Jorge Fernando. Quando tocou pela primeira vez o tema Ai Vida para a fadista, ela chorou. «Jorge, você conhece-me como pouca gente», terá dito. A canção, do sexto álbum de originais de Jorge Fernando, foi depois regravada para o álbum Memória e Fado, em 2005, com um excerto cantado por Amália, uma gravação não editada que o músico guardou.

A amizade, que começou quando Jorge tinha 20 anos e Amália 57, viria a durar até à morte da fadista. Conheceram-se quando Jorge foi substituir Alcino Frazão numa atuação com Carlos Gonçalves, guitarrista de Amália.

Carlos convidou-o em seguida para tocar com a fadista. E daí criaram «uma relação muito honesta», descreve ele com um misto de saudade e admiração. «Nunca contei esta história, mas acho que retrata bem como éramos um com o outro. Uma vez, estávamos em viagem para um espetáculo e pegámo-nos numa discussão – educada, obviamente. Tínhamos pontos de vista diferentes e eu puxei um bocadinho. Ela virou-se para trás e disse: “Ó Jorge Fernando, daqui a pouco um dos dois está aqui a mais.” Isto aconteceu porque eu não fingia com ela. Nunca o fiz.»

Recordada por um carisma palpável que atraía multidões, Amália é também lembrada pelo amigo como uma pessoa extremamente perspicaz, que «sabia exatamente como passar o recado sem perder a elegância».

«Num dos nossos concertos, a Maria da Fé veio assistir. Toda a gente sabia que a Maria, que eu admiro muitíssimo, queria ser como a grande diva. Ora, quando ela vem ao camarim entregar um ramo de rosas, Amália, sempre atenta, só lhe diz: “Ó Maria, deixe as rosas e leve os espinhos.” Ela tinha este dom da palavra em qualquer situação.»

Ainda hoje, Jorge Fernando é relembrado como o viola que acompanhou Amália. É uma descrição que o deixa muito orgulhoso, mas que não o define. Quando tocava com Amália, já colaborava como compositor e produtor para outros fadistas, nomeadamente Nuno da Câmara Pereira.

8ª Gala de Fado em Ferreira do Zêzere

Os bilhetes para a 8ª Gala de Fado de Ferreira do Zêzere encontram-se à venda na Tesouraria da Câmara Municipal.

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