Exposição de desenhos de Alfredo Keil em Ferreira do Zêzere

Escreveu poemas e canções sobre lendas e histórias de Ferreira do Zêzere

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Está patente na Biblioteca Municipal Dr. António Baião de Ferreira do Zêzere uma exposição de desenhos de Alfredo Keil  realizados entre 1896 e 1903.

O concelho de Ferreira do Zêzere foi inspiração para o músico, pintor e escritor onde esteve várias vezes. Aqui registou a carvão, as paisagens, as gentes, as festas e romarias, o povo e o trabalho agrícola, o Zêzere, os monumentos e as casas de habitação.

Escreveu poemas e canções sobre lendas e histórias de Ferreira do Zêzere e da nossa região e compôs para instrumentos de sopro a sua marcha “A portuguesa”, hoje, Hino Nacional, com a letra de Henrique Lopes de Mendonça, tendo sido escrita no rescaldo emocional do Ultimatum e tornou-se a marcha dos revoltosos de 31 de janeiro de 1890.

Alfredo Keil, de seu nome completo Alfredo Cristiano Keil nasceu em Lisboa a 3 de julho de 1850 e era filho do alfaiate alemão, Hans-Christian Keil, (mais tarde João Cristiano Keil) e da alsaciana, Maria Josefina Stellflug, ambos de origem alemã e radicados em Portugal.

A sua educação básica deu-se igualmente na Alemanha, berço do romantismo, sendo talvez esta, uma das razões pelas quais o artista seguiu a reboque das novas tendências, já estabelecidas na Europa.

Estudou desenho e música em Nuremberg, numa academia dirigida pelo pintor Wilhelm von Kaulbach e August von Kreling. Em 1870, devido à guerra Franco-Prussiana, regressa a Portugal.

Pintor do romantismo, numa época em que a arte mundial ia em direcção do realismo. Músico e compositor lírico, escritor e poeta, Keil não era um pintor de tempo integral, embora também não fosse um artista de fins-de-semana, pois pintava regularmente e deixou centenas de quadros com impressão fina e delicada, de excelente qualidade.

Era um pintor de paisagens, mas também de interiores requintados, como o quadro Leitura de uma Carta, trazido a público em 1874 e recebido com entusiasmo, tanto pela aristocracia ainda dominante, como pelos burgueses endinheirados, a quem a arte singela do romantismo sensibilizava mais fortemente.

O seu trabalho encontrou e conquistou um apreciável segmento do mercado. Em 1890, realizou uma exposição individual em Lisboa, bastante concorrida, na qual expôs cerca de trezentos quadros. Foi a consagração no seu país natal, após o reconhecimento que lhe fora dado por outros países.

Em 1878, inscreveu-se na Exposição Internacional de Paris; em 1879, esteve no Brasil, expondo no Salão Nacional de Bellas-Artes, onde conquistou medalha de ouro; em 1886, participou da Exposição de Madrid, recebendo a Condecoração da Ordem de Carlos III de Espanha.

Em Portugal, sua presença como pintor foi ofuscada pelo brilhantismo com que se destacou na música e na poesia. Foi na música, sobretudo, que ele obteve seu maior sucesso e a além da sua composição mais conhecida, A Portuguesa, outra das mais conhecidas composições foi, todavia, a Marcha Fúnebre.

Entre os livros que publicou, destaca-se Tojos e Rosmaninhos (poesias, 1908), obra tríplice inspirada nas lendas e tradições de Ferreira do Zêzere, concelho no qual, a partir da famosa Estalagem dos Vales, Keil, José Campas, José Ferreira Chaves, Teixeira Lopes, Taborda (actor), António Saúde, Simões de Almeida, o próprio rei D.Carlos I e muitos outros artistas do final do século XIX frequentavam esta paragem.

Como compositor, ganharam destaque as suas óperas D. Branca (1888), Irene (1893) e Serrana (1899), então considerada a melhor ópera portuguesa.

Exposição de desenhos de Alfredo Keil em Ferreira do Zêzere

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