Filarmónica Ferreirense celebra 175 anos
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Filarmónica Ferreirense celebra 175 anos

Fundada em 1842, só foi registada oficialmente a 8 de julho de 1871

Este fim-de-semana a Sociedade Filarmónica Ferreirense comemora o seu 175º aniversário, encontrando-se ao serviço da cultura desde 1842.

Com um vasto programa, as comemorações começam no sábado, dia 8 de julho, pelas 21h30 no Centro Cultural de Ferreira do Zêzere com a atuação da Banda da Filarmónica Idanhense, Adufeiras do Rancho Etnográfico de Idanha-a-Nova, Orquestra de Cordas da Casa do Povo de Ferreira do Zêzere e a Banda da Sociedade Filarmónica Ferreirense.

No domingo, dia 9, pelas 09h30 vai decorrer uma arruada pelas ruas da vila e quinze minutos depois, a recepção às entidades convidadas.

Às 10h00 irá decorrer o hastear da bandeira, seguida da romagem ao cemitério e as 11h30, vai decorrer uma missa solene por intenção de músicos, diretores e sócios.

Filarmónica Ferreirense celebra 175 anos

Historial da Sociedade Filarmónica Ferreirense

Diz a tradição de Ferreira do Zêzere que a sua Música Popular teria aparecido um ano depois, pouco mais ou menos, da filarmónica Carrilense.

Não era de aceitar de bom grado que na pequena freguesia do concelho já existisse uma Sociedade Filarmónica, e na própria sede, a novidade da época – a música popular – não existisse.

Num período conturbado da História Portuguesa, com o país a ser governado pelo Cabralismo, a música era o ponto de partida dos interesses espirituais ou políticos de cada agremiação e de cada terra; por isso a muito mais laboriosa população de Ferreira do Zêzere sentia-se estimulada a imitar a Banda da sua súbdita Carrilense.

Havia que encetar-se um caminho. A tal se dispuseram o Pároco Januário Mendes Ferreira, António Mota Cardoso e Filipe Godinho – proprietários do lugar da Cerejeira – que assim deram vida a uma corporação musical denominada Sociedade Filarmónica Ferreirense.

E em 1842 foi a fundação desta Banda Ferreirense, cujas vicissitudes tem suportado há já mais de um século.

A 8 de julho de 1871 foi tornada oficial a sua existência. Pois no cartório do Tabelião de Notas José Lopes Leal Ferreira foi lavrada uma escritura pública a que foram passados os estatutos da Sociedade.

Dessa escritura foram testemunhas: António Lourenço, solteiro, oficial de farmácia, residente na Vila de Ferreira do Zêzere e Augusto Damazo de Carvalho, casado, que vive da sua agência, do lugar do Salgueiral.

E outorgaram a dita escritura: Alexandre José da Silva, casado, alfaiate, de Casal da Cruz, Manuel António Luiz, casado, serralheiro, do lugar de Portinha, Filipe Godinho, casado, sapateiro, do lugar da Cerejeira, Augusto Ferreira, solteiro, alfaiate, do lugar de Cabeça do Carvalho, José Vaz, casado, serralheiro, do lugar de Portinha, Cristóvão Godinho, casado, sapateiro, do lugar de Castelo, Joaquim António de Oliveira, casado, proprietário, do lugar de Levegada, André Ribeiro dos Santos, casado, sapateiro, do lugar de Salgueiral, todos da freguesia de Ferreira do Zêzere, Manuel António dos Santos, solteiro, sapateiro, do lugar de Congeitaria, Anacleto António Rodrigues, casado, proprietário, do lugar de Venda da Serra, ambos da freguesia de Águas Belas, e ainda João Godinho e Joaquim Godinho, solteiros, sapateiros, José Maria Godinho, solteiro, marceneiro, e António Dias Ferreira, casado, proprietário, estes quatro últimos da Vila de Ferreira do Zêzere e todos do Julgado de Ferreira do Zêzere.

Os catorze outorgantes, como quem diz, os que aprovaram a letra dos estatutos da Sociedade, foram, decerto, os executantes que ao tempo a Banda teria no seu efectivo; pois as suas profissionalidades são aquelas que mais se adaptam à vida de filarmónico.

A Sociedade Filarmónica Ferreirense é uma banda conhecida em todos os concelhos mais próximos, como Tomar, Alvaiázere, Sertâ, Vila de Rei, Abrantes, elas inúmeras festas, quer civis quer religiosas, a que tem sabido comparecer galhardamente e com brilhantismo.

Em 1937 possuía a Banda 25 executantes e era seu regente António Lourenço. Nesta fotografia de 1938, podemos ver alguns desses executantes.

Filarmónica Ferreirense celebra 175 anos

Durante a sua existência, a Sociedade Filarmónica Ferreirense teve uma vida bastante irregular, atravessando algumas crises, mas manteve sempre a sua atividade regular de forma ininterrupta, principalmente pelo auxílio de algumas dedicações, de entre as quais é dever salientar a do falecido proprietário da Quinta do Pinheiro, Adelino Henriques de Melo.

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