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Quando o concelho voltou a ser assolado por um grave incêndio

Incêndio teve início no Barqueiro, no concelho de Alvaiázere

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No passado dia 11 de agosto, um grave incêndio florestal, com início no Barqueiro, no concelho de Alvaiázere, que teve início cerca das 19h40 e que rapidamente se dividiu em quatro frentes.

Cerca das 20h30, as chamas atingiram o concelho de Ferreira do Zêzere, entrando na freguesia do Beco, obrigando à retirada de alguns populares das suas habitações por razões de saúde, devido à inalação de fumo.

Com os bombeiros de Ferreira do Zêzere a fazer o combate inicial, rapidamente foram ativados meios de outras corporações, com as preocupações a centrarem-se nos lugares da Carvalheira e no Ral, na mesma freguesia.

No entanto, algumas projeções causavam problemas aos bombeiros, provocando novo foco de incêndio nas proximidades do Casal do Zote, que foi prontamente resolvido por bombeiros com o apoio de populares.

A GNR tinha sido já ativada para proceder ao corte de estradas, em especialmente entre a rotunda da Senhora da Orada e o limite do concelho, na Portela do Brás, devido aos populares que se deslocavam ao local, dificultando a circulação das viaturas dos bombeiros.

A circulação na auto-estrada A13 viria também a ser cortada ao início da madrugada.

O apoio de máquinas de rasto durante a noite foi importante, no apoio ao trabalho dos bombeiros, permitindo controlar o incêndio.

Com o nascer do dia, o incêndio entrou em fase de resolução, sendo que os bombeiros se encontravam em operações de rescaldo e vigia em vários locais da freguesia do Beco, alguns dos quais onde as chamas ficaram a poucos metros de habitações.

Entretanto, com a maioria das vias reabertas à circulação, apenas a circulação entre a rotunda da Senhora da Orada e a Portela do Brás se encontrava condicionada.

Cerca das 17h00, foram detetados vários reacendimentos no Beco e no concelho de Alvaiázere, com o incêndio a atingir em poucos minutos proporções imagináveis, deixando um rasto de destruição à sua passagem, que segundo populares, “nunca tinham visto tal coisa”.

Quando o concelho voltou a ser assolado por um grave incêndio

Com a situação a tornar-se mais crítica, devido ao incêndio ter atingido a Serra de São Paulo, no Beco, os bombeiros viam-se com novo problema em mãos, um incêndio na Levegada, em pleno coração de Ferreira do Zêzere, num terreno junto a habitações.

O incêndio no Beco continuava fora de controlo e com os bombeiros a tentarem travar uma luta desigual, populares juntavam-se a tentar proteger casas e bens, enquanto a zona florestal ia sendo “devorada por um monstro”, atingindo, no entanto, habitações nas proximidades da Igreja Matriz do Beco, encaminhando-se para a zona de Dornes, sendo necessário retirar algumas pessoas de casa para o lar da Santa Casa da Misericórdia.

Segundo relatos populares, “desde que o fogo rebentou novamente na zona da Senhora da Orada, até chegar ao Beco, foram trinta minutos”. Com o fumo negro a cobrir toda a região, o trabalho dos meios aéreos foi dificultado.

Com o cair da noite, depois de ter atingido a freguesia do Beco e Nossa Senhora do Pranto,  o incêndio alcançou a freguesia de Ferreira do Zêzere, colocando em risco as povoações nas proximidades do rio Zêzere.

O Conselho Municipal de Proteção Civil de Ferreira do Zêzere, reuniu-se pela 1h da madrugada desse domingo, 13 de agosto, decidindo que “dada a gravidade da situação dos incêndios no concelho” deveria ser ativado, de imediato, o Plano Municipal de Proteção Civil, que ao nível das operações logísticas e da tomada de decisão, permite mais autonomia ao Município.

Esperava-se que a madrugada de domingo trouxesse um abrandamento, mas com o nascer do dia a situação manteve-se complicada e durante a tarde, o incêndio atingiu o concelho de Vila de Rei, envolvendo também a zona de São Pedro de Castro.

Não dando tréguas, o incêndio ia lavrando em várias frentes, sendo que “a situação esteve muito complicada em Dornes, Peralfaia e Rio Cimeiro, onde as chamas chegaram até às casas e aos quintais, mas as habitações foram salvas e só em Rio Cimeiro transferimos algumas pessoas, ao final da tarde, por precaução”, segundo o Comandante Municipal Pedro Mendes à Agência Lusa.

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Na segunda-feira, dia 14, segundo o Comandante Municipal, “as coisas estão mais calmas e os meios mantêm-se no terreno em algumas operações de combate e outras de vigilância, rescaldos e trabalhos de consolidação da zona ardida, para evitar reacendimentos”.

No total, desde sexta-feira, terão sido evacuadas “cerca de uma dezena de aldeias”, número que não conseguiu precisar, tendo o município emitido um comunicado à população onde faz vários apelos e onde dá conta de “quatro edifícios de primeira habitação atingidos, para além de edifícios de segunda habitação, anexos e equipamentos ainda em avaliação”.

Quando o concelho voltou a ser assolado por um grave incêndio

Na terça-feira a situação no concelho de Ferreira do Zêzere era bem mais tranquila, com o incêndio a ser dado com dominado pelas 05h52, sendo tempo de fazer contas à vida e contabilizar bens destruídos.

No entanto, diversos reacendimentos têm dado trabalho aos soldados da paz, que sem mãos a medir, vão fazendo face às adversidades, sendo que na tarde do dia 17, um reacendimento com intensidade na zona das Valadas fez prever o pior.

O município de Ferreira do Zêzere contabilizou 26 habitações afetadas pelo incêndio que lavrou no concelho entre 11 e 13 de agosto, tendo o presidente da Câmara defendido “um pacto para a floresta”.

“Seria um erro histórico deixar agora a natureza regenerar-se sem ser de uma forma ordenada, com zonas-tampão, aceiros, e com árvores de diferentes espécies, e para tal é preciso um pacto para a floresta”, defendeu Jacinto Lopes (PSD), contabilizando, em declarações à Lusa, “um total de 26 casas afetadas pelos incêndios, quatro delas de primeira habitação, duas pessoas feridas e cerca de quatro mil hectares de área florestal” destruída.

“Ardeu cerca de 25% da florestal de Ferreira do Zêzere e um terço do nosso território, mas poderia ter ocorrido aqui uma catástrofe. Os números são muito graves, mas ficam aquém da catástrofe e do sofrimento por que passámos devido a um incêndio cuja rapidez, violência, força e intensidade nunca havia visto nos últimos 30 anos”, frisou o autarca.

Quando o concelho voltou a ser assolado por um grave incêndio

Por isso, é necessário “inverter este ciclo”. Jacinto Lopes defendeu que “o Estado é quem deve definir as regras, dizer como se deve ordenar o território florestal, definir o que fazer aos terrenos que são propriedade privada, tomar posse das propriedades abandonadas e dar o exemplo na gestão dos terrenos florestais”.

No seu entender, “todos os municípios com características semelhantes em termos de área florestal e de risco de incêndio deviam integrar o projeto-piloto de reorganização do território”, protagonizado pela Unidade de Missão para a Valorização do Interior, com sede em Pedrógão.

“Tal como está é que não pode continuar, pois está mais do que provado que estamos a destruir o nosso território, a perder riqueza e a aumentar os níveis de desertificação do interior do país”, frisou o autarca, observando que “este tipo de incêndios vai continuar” a ser motivo de preocupação.

“As alterações climáticas estão aí e estes incêndios, com estas características, não foram um episódio pontual. São uma realidade que temos de saber enfrentar, com planeamento, organização e uma gestão adequada do território”, defendeu.

Crédito das fotos: Carlos Silva

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