Presépios de Natal em Ferreira do Zêzere (c/ vídeos)

Presépio do Mourolinho e Presépio da Casa do Povo de Ferreira do Zêzere

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Falar de presépios é viajar no tempo, é viajar na história… As referências ao primeiro presépio levam-nos até ao remoto ano de 1223, em que consta que foi elaborado na Igreja de Santa Maria em Roma, sendo posteriormente este costume alargado a outras igrejas.

Foi pela mão de São Francisco de Assis (1181- 1226) que o presépio ganhou a representação que a Bíblia descreve da natividade, ocorrida numa gruta, com uma manjedoura, animais e figuras esculpidas em barro, uma representação que se tornaria popular em todo o mundo cristão.

São Francisco começou a divulgar a ideia de criar figuras em barro que representassem o ambiente do nascimento de Jesus.

No ano seguinte, em vez de festejar a noite de Natal na Igreja, como era seu hábito, o Santo fê-lo na floresta de Greccio, para onde mandou transportar uma manjedoura, uma vaca e um burro, para melhor explicar o Natal às pessoas comuns, camponeses que não conseguiam entender a história do nascimento de Jesus.

O costume espalhou-se por entre as principais catedrais, igrejas e mosteiros da Europa durante a Idade Média, começando a ser montado também nas casas de reis e nobres já durante o período do Renascimento.

O presépio de Natal foi motivo de dois tipos de representações fundamentais: A representação plástica, que terá surgido associada ao culto da Natividade, iniciado por Santa Helena, mão do imperador romano Constantino, ao passo que a teatral se deve a são Francisco de Assis.

No ano de 1567, a duquesa de Amalfi mandou montar um presépio de Natal que tinha 116 figuras para representar o nascimento de Jesus, a adoração dos reis Magos e dos pastores ao Menino Jesus e o cantar dos anjos.

No final do século XVII e durante todo o século XVIII, período em que o estilo barroco marcou acentuadamente a Arte Sacra, os presépios de Natal popularizaram-se, enriquecendo-se de novos personagens e atingindo o ponto culminante de sua criação, como modalidade artística independente, a designada arte presepista.

No início do século XVIII, o Reino de Nápoles, sob o reinado de Carlos III de Bourbon, rei de Espanha e Nápoles (1716 – 1788), um grande incentivador deste tipo de arte no seu país, destacou-se como um importante centro produtor de presépios de Natal, nascia assim o presépio napolitano.

Encorajado pelo dominicano, padre Gregório Maria Rocco (1700 – 1782), conselheiro do Reino, Carlos III transformou a arte do presépio numa prática do próprio monarca e da aristocracia.

Na cidade de Nápoles desenvolveu-se um refinado artesanato de miniaturas, onde ceramistas, marceneiros, pedreiros e entalhadores, ao lado de alfaiates, sapateiros, joalheiros e fabricantes de instrumentos musicais, passaram a dedicar-se à produção em miniatura de réplicas perfeitas de tudo quanto era de uso na vida quotidiana daquela época, chegando tais artífices, a alcançar resultados de admirável qualidade e notável beleza.

Essa foi a época da humanização do presépio de Natal, que se ampliou, envolvendo expressões do folclore local, com os personagens (figurantes) dos presépios, passando a ser cópias fiéis dos tipos humanos regionais, vivendo situações do quotidiano, em ambientações bastante realistas.

Da Itália, os presépios espalharam-se, com o passar do tempo, por toda a Europa e, a partir daí, para todo o mundo cristão, acompanhando, primeiro os franciscanos e depois, os jesuítas, ao longo do caminho geral do movimento de evangelização.

A influência italiana na arte dos presépios de Natal, fez-se sentir, principalmente, na Áustria, Alemanha, Polónia, Espanha e em Portugal.

Mas seria já no século XVIII que o costume de montar o presépio de Natal nas casas comuns se disseminou pela Europa e depois pelo mundo.

Em Portugal, segundo registos, terá sido encomendado um presépio de Natal em 1558 ao escultor Bastião d’Artiaga pela irmandade dos livreiros de Lisboa, na igreja de Santa Catarina do Monte Sinai.

Mas o auge dos grandes presépios de Natal em Portugal surgem no auge do estilo barroco, entre os séculos XVII e XVIII, tendo sido efetivamente nos séculos XVII e XVIII que, simultaneamente ao desenvolvimento desta arte presepista europeia, o presépio de Natal se implantou no Brasil.

Segundo a tradição, o presépio de Natal teria sido introduzido no Brasil, no século XVII em Olinda, por iniciativa de frei Gaspar de Santo Agostinho.

Em Espanha, a tradição chegou pela mão do rei Carlos III, que a importou de Nápoles no século XVIII.

A sua popularidade nos lares espanhóis e latino-americanos estendeu-se ao longo do século XIX e na França, não se fez até inícios do século XX.

Em todas as religiões cristãs, é consensual que o Presépio é o único símbolo do Natal de Jesus verdadeiramente inspirado nos Evangelhos.

Tornou-se costume em várias culturas montar um presépio quando é chegada a época de Natal.

Presépios de Natal em Ferreira do Zêzere

Esta tradição hoje é vivida de forma intensa no concelho de Ferreira do Zêzere e prova disso são dois dos muitos presépios que podemos encontrar.

O tradicional Presépio do Mourolinho, na Igreja Nova do Sobral, este ano montado uma semana mais cedo, é a prova do sonho e fé de um homem, um sonhador, um obreiro e que este ano, para Jorge Roberto, tem um significado muito especial, em virtude de encontrar a recuperar de um problema oncológico.

Para concluir o presépio, demorou cerca de 50 horas para amontoar mais de 7 toneladas de pedras e preparar o cenário que presenteia todos os visitantes que ali se deslocam.

Em conversa com a OvoTV, Jorge Roberto sente-se aliviado “por ter arranjado forças perto ao Natal e está a correr bem”, até porque este ano, “o presépio levou mais pedras, está maior”.

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Considera que é “uma prenda de natal para todos os ferreirenses, para todos os igrejanovenses, para todos os portugueses em geral, e para os que estão espalhados pelo mundo”, terminando com um voto de “boas festas” a todos os leitores.

Perto do coração da vila de Ferreira do Zêzere, podemos encontrar outra representação do presépio, com outros materiais, mas com o mesmo significado.

É no espaço da Casa do Povo, sendo que é o terceiro ano em que realizam o projeto, mas pela primeira vez em espaço exterior, aberto à população.

Segundo o Dr. Vicente, Presidente da Casa do Povo, a iniciativa partiu da Doutora Manuela, do Senhor Fernando e esposa, a Dona Rosa, sendo que “trabalharam esta ideia que está à vista, trabalharam a madeira.

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Utilizando materiais rústicos, como a madeira, a telha de canudo à antiga portuguesa, o trabalho foi repartido por todos, com o objetivo de acolher com a magia da natividade quem se desloque até à Casa do Povo.

Aproveitando para desejar as Boas Festas, a “Casa do Povo, jovem na atividade recente da cultura e da música, deseja a todos os ferreirenses e associados da Casa do Povo, que tenham um natal feliz, com a família, com os amigos e que o ano novo que se aproxima seja de prosperidade, que seja um dos melhores que se tem passado até hoje. Boas Festas para todos.”

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