Importância da agricultura biológica em destaque na Sertã

Diversificar ecossistemas, sensibilizar e educar para evitar incêndios foram temas de ação de divulgação…

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Promovida pela Agrobio – Associação Portuguesa de Agricultura Biológica, decorreu esta segunda-feira, dia 26 de fevereiro, na Sertã, uma ação que pretendeu contribuir para informar e incentivar ao uso, no terreno, de técnicas de conservação e melhoria da fertilidade do solo e diversificação dos sistemas produtivos, técnicas usadas na Agricultura Biológica, mas que podem ser aplicadas universalmente.

Olhando para o território que foi percorrido pelos incêndios do ano passado esta pode muito bem ser uma janela de oportunidades para encontrar o equilíbrio que deixou de existir e que conduziu a este problema.

“Para que estes territórios ardam menos tem que haver uma diversidade na ocupação do território, entre a existência da agricultura, da floresta e de multiactividades como o turismo e a fixação de pessoas”, disse Jaime Ferreira, presidente da Agrobio, considerando ainda que “os incêndios têm que ter um menor impacto sobre as populações e sobre o território”.

Olhando para o que está a ser feito, Jaime Ferreira sente que nem tudo se resolve com o combate, é preciso, a par da mudança da paisagem, “sensibilizar e educar as populações para viverem nestes territórios com risco de incêndio”, pois “verificámos que as pessoas não sabiam o que fazer quando havia um incêndio”, disse.

Preservar o ecossistema é crucial e a agricultura biológica pode “ser uma oportunidade para não continuarmos a cometer erros que foram cometidos no passado”, adiantou António Lopes da Agrobio, considerando que “apesar de estarmos habituados a que a população agrícola seja envelhecida, é possível captar gente mais nova”.

Prova disso são Rodrigo Borges e a esposa que saíram de Lisboa para viverem no interior. Trouxeram consigo o sonho de encontrar por aqui agricultores que se dedicassem à agricultura biológica mas, para já, não passou mesmo de um sonho e “neste momento estamos focados nos produtos embalados. Quando o cliente nos pede hortícolas ou fruta, por exemplo, vamos à procura de produtores locais e eles não existem. Nós próprios somos consumidores e temos que fazer muitos quilómetros para encontrar esses produtos”, lamenta.

No concelho da Sertã já existe um agricultor certificado que, para já está a produzir ervas aromáticas, especialmente hortelã, mas também salsa e coentros.

Pela experiência que tem, Nelson Nunes considera que ser produtor certificado “não é fácil. Envolve muita burocracia e muito dinheiro para começar, mas compensa”. No seu entender, “a zona não valoriza a parte biológica, acaba por se ter que vender como sendo um produto convencional”, esclarece.

Via Rádio Condestável
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