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A Obesidade mata

A obesidade é uma doença, mas mais do que doença em si trás consigo outras patologias. E a obesidade mata

A Obesidade mata

O tabaco sempre foi uma das maiores causas de morte, mas prevê-se que nos próximos dez anos seja ultrapassado pela obesidade.

No Centro Hospitalar do Médio Tejo a Consulta de Obesidade faz-se no Hospital de Dia da Diabetes. Joana Gonçalves, Nutricionista, responsável por estas consultas no CHMT, alerta para o facto de “a obesidade ser muito mais preocupante do que se fala, pois não só há só excesso de peso como há mais obesos. A obesidade é uma doença, mas mais do que doença em si trás consigo outras patologias. E a obesidade mata.”

No CHMT a abordagem da Consulta da Obesidade é feita com adultos e com crianças, em cerca de 150 consultas por mês realizadas a adultos e 70 consultas a crianças.

As consultas são espaçadas consoante cada caso. “É feito o acompanhamento quinzenal em situações extremas, que tenham associadas situações depressivas ou compulsão alimentar, fazemos também acompanhamento mensal, quer nas crianças quer com os adultos que estão disponíveis, e trimestral (que é o mais espaçado que temos). Muitas vezes começamos com acompanhamento quinzenal e vamos espaçando”, explica Joana Gonçalves.

A abordagem tende a ser o mais dinâmica possível, de forma a motivar os utentes para as alterações sobretudo dos hábitos alimentares.

“Para além das sessões individuais, de acompanhamento nutricional, estamos a começar a introduzir nos adultos sessões de grupo em que abordamos vários temas, exemplo da rotulagem alimentar e novas confeções.

Estamos igualmente a iniciar um projeto de cozinha saudável, com aulas sobre novas formas de cozinhar, nomeadamente com o tema das sopas, a substituição do sal introduzindo as ervas aromáticas que ainda não são muito utilizadas pela população no Médio Tejo”, informa a nutricionista Joana Gonçalves

No que se refere à abordagem realizada com as crianças, Joana Gonçalves está “a iniciar um estudo sobre o que está a predispor as nossas crianças ao excesso de peso”.

Uma das constatações que faz nas suas consultas é que “as crianças são muito criadas pelos avós e essas crianças tem IMC mais elevado”.

Também o sedentarismo é apontado como causa, pois “as crianças fazem pouco exercício físico e as que o fazem não gostam”, refere a nutricionista de acordo com o que observa nas suas consultas.

E a época das férias de verão é propícia ao aumento de peso. “Na época de verão as crianças tem tendência a engordarem 3 a 5 quilos, pois a maior parte passa o tempo em casa e não pratica qualquer atividade. Estamos a aproximar-nos de um período crítico”, alerta Joana Gonçalves.

Alterar hábitos é o mais difícil.

Na consulta de obesidade o que é aconselhado é pensado caso a caso de acordo com o perfil da família, quer a nível económico mas também de gostos e preferências.

E, quando cumprem os planos, na grande maioria dos casos o agregado familiar consegue reduzir as despesas comendo de forma saudável.

Muitas vezes “a resistência é dos próprios pais”, diz a nutricionista pois “pensam que uma alimentação adequada demora muito tempo, são capazes de cozer arroz mas são incapazes de preparar uma salada”.

E esta é uma das maiores dificuldades “a dos pais quererem mudar os hábitos, esta dificuldade é muitas vezes maior do que a económica”.

E se com as crianças, a dificuldade está na alteração dos hábitos alimentares da família com os adultos a “maior dificuldade é fazer-se o click. Os adultos têm a consciência do que lhes faz mal. Muitos comem como compensação do dia-a-dia e nesses casos muitas vezes é difícil de controlar”, afirma Joana Gonçalves que considera que “é muito complicado perder peso e a própria sociedade não ajuda, pois há muitos estímulos”.

Trabalho em equipa e de porta aberta

Uma das mais-valias deste serviço é o trabalho em equipa que se faz no Hospital de Dia da Diabetes. “Nós aqui tentamos, com a equipa que temos, trabalhar todos os aspetos; a parte psicológica, a emocional e de que maneira isso afeta as escolhas alimentares”.

Feita a abordagem multidisciplinar, Joana Gonçalves prepara, sempre que possível, planos, SOS, escapes para essas situações de compulsão.

“Quando os utentes tem aquela hora que não se conseguem controlar, tentamos minimizar a sensação de culpa através de estratégias, pois muitas vezes não há mesmo forma de evitar os episódios de convulsão e portanto é necessário limitar os alimentos calóricos em casa”.

Outra das vantagens é a relação de porta aberta que existe na Consulta de Obesidade. “É muito importante para as pessoas saberem que podem vir em qualquer altura, quando precisam. Isto e a confiança no profissional que o está a acompanhar. Nós temos de dar o exemplo, não podemos seguir a máxima de ‘olha para o que eu digo e não para o que eu faço’. Não podemos querer que o nosso utente perca peso e faça exercício se nós no nosso dia-a-dia não o fazemos”, afirma a nutricionista que acredita que “se tiverem o nosso exemplo eles vão ter uma adesão à terapêutica superior como uma motivação maior”.

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