Ferreirense burlado com crédito fácil no Facebook

Prometem Crédito Rápido e Fácil, com taxas de juro de 2% ou menos, para angariar novas vítimas

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Por vezes somos surpreendidos com pedidos de ajuda de leitores e desta vez tratava-se de uma questão relacionadas com ofertas de crédito fácil no Facebook, com promessas de rapidez e taxas de juro reduzidas.

Quando se pensava que os burlões por detrás da burla online dos créditos fáceis e rápidos em comentários no facebook tinham desaparecido, eles estão de volta e fizeram uma vítima em Ferreira do Zêzere.

Quando José (nome fictício a pedido do leitor) se viu aflito financeiramente, face a um corte repentino no salário, viu-se perante uma situação em que teve que aceder rapidamente a um crédito fácil.

Contudo, a situação piora quando as pessoas possuem o seu nome na lista negra do Banco de Portugal e não conseguem aceder a crédito, mas não sendo o caso, José optou à mesma por métodos alternativos de financiamento e caiu no “conto do vigário”, devido à promessa de taxas de juro reduzidas.

Atraído por um pedido de amizade de Eleonora Vasquez Velasco e que segundo a nossa investigação tem alguns “amigos” no nosso concelho, acabou por contactar a mesma devido às suas publicações e comentários, com o objetivo de obter um crédito fácil com taxas super favoráveis.

Com a “emprestadora” a fazer-se passar por representante de uma instituição internacional de crédito, a Wells Fargo, José acabou por lhe enviar toda a documentação necessária para a realização do empréstimo.

Após isso recebeu um email que deveria pagar 175€ para a abertura do processo, ao qual acedeu, ficando então a aguardar todo o processo de aprovação.

De forma quase imediata, recebeu outro email dizendo que o crédito tinha sido aceite e que deveria então pagar o seguro referente ao mesmo, no valor de 225€, pois só assim poderia receber o valor solicitado.

Pouco habituado a estes processos, José ia cedendo ao novo pedido dos burlões, mas por dificuldades financeiras acabou por não o fazer, pedindo para esperar mais algum tempo, sendo “intimidado” que ou pagava o valor em questão ou perdia o direito ao empréstimo e ao dinheiro de abertura do processo.

Sem saber o que fazer e sentindo-se ameaçado, acabou por nos procurar e pedir ajuda, acabando por nos ceder todos os documentos que lhe foram enviados pela “emprestadora”.

Após análise dos documentos, depressa ficamos com a pulga atrás da orelha, devido à imensidão de erros ortográficos, sendo que metade do texto se apresentava em português e outra metade em espanhol, revelando que algo não estaria correto, assim como um “design” do processo algo amador.

Fomos à procura de referências sobre a entidade responsável pelo empréstimo e as referências em causa eram nulas, não existindo entidade com o nome em questão, assim como o perfil de facebook da “emprestadora” tinha nome espanhol, sendo que tinha nascido na Índia, mas a fotografia mostrava que a pessoa não teria origem nem em país latino, muito menos origem indiana.

Com os documentos originais em mão, acabamos por descobrir que até o carimbo de um alegado notário-advogado era falso, assim como o nome do mesmo não se encontrava em nenhuma base de dados e o tribunal referenciado não existe.

Após José nos ter apresentado o papel da transferência da abertura do dossier de crédito fácil, todas as dúvidas foram dissipadas, pois a transferência foi efetuada via Western Union, tendo como destino uma “mula” em Cotonou, na República do Benin, país situado no corno de África e largamente associado a este tipo de esquemas.

Tendo sido questionado sobre o endereço de email que a “emprestadora” usava para lhe enviar as mensagens, José revelou o seguinte endereço: [email protected]

Depois de demonstradas as evidencias, José acabou por perceber que tinha sido burlado e que se tivesse acedido ao pagamento do seguro, acabaria por ter ficado sem mais dinheiro e sem empréstimo, tendo apresentado já queixa em diversas entidades, permitindo também que o caso se tornasse público, de forma a que não haja mais burlados.

Sinais de alerta para evitar burlas com crédito fácil na internet

1. Não encontra referências externas (positivas) sobre a empresa em questão

Por referências externas referimos-nos, por exemplo, a testemunhos de clientes satisfeitos, artigos sobre a empresa em blogs ou na imprensa.

Se para contratarmos um profissional de limpeza doméstica procuramos arranjar referências de outras pessoas que já contrataram a mesma pessoa, não devemos tentar fazer o mesmo para uma empresa em que estejamos a pensar confiar algo tão privado e delicado como as nossas finanças?

Quando uma empresa é referida em algum meio de comunicação social ou blog reputado, naturalmente fará menção no seu site ou redes sociais.

2. Ao contactar a empresa, pediram-lhe uma comissão de análise ou pré-aprovação

Não faz sentido pagar por um serviço antes deste estar concluído, certo? Para além disso, não faz também sentido pagar pela análise de um crédito que pode nem ser aprovado. Se lhe pedirem uma comissão para analisar um crédito, não siga em frente com o processo.

A maioria dos casos de burlas com créditos que vemos surgem precisamente porque é cobrada uma comissão que não é devolvida mesmo quando o pedido de crédito não é aprovado, ficando a pessoa sem o crédito e sem o dinheiro que investiu nessa “comissão” que lhe foi pedida no início do processo.

3. A consultora financeira garante um processo “sem burocracias”

A fim de comprovar a veracidade da informação e fazer análise do seu pedido de crédito, a consultora precisa de ter acesso aos seus documentos, logo se não lhe pediram nada e prometeram um processo “sem burocracia”, tem aí outro alerta vermelho.

4. Prometeram-lhe crédito aprovado numa questão de horas ou dias

Quanto muito podem prometer-lhe que vão analisar o seu pedido dentro de horas ou dias, uma vez que nenhuma consultora financeira tem o poder de aprovar crédito. Apenas os bancos estão habilitados a fazê-lo.

5. A consultora ou empresa afirma poder dar crédito fácil a quem tem o nome na lista negra do Banco de Portugal

Não existem excepções neste caso: se tem o nome reportado na lista do Banco de Portugal, saiba que as instituições financeiras estão proibidas por lei a dar-lhe acesso a crédito, logo não acredite neste tipo de promessas.

6. Cuidado com os “falsos amigos” no Facebook

Com certeza que, ao navegar pelo seu Facebook, já encontrou mensagens colocadas em caixas de comentários alheias a “oferecer” crédito em condições aparentemente muito vantajosas. Ou, se calhar, já recebeu mensagens no “chat” de “anónimos” a oferecer-lhe este tipo de serviços.

Pode parecer puro bom senso não responder a estes “cantos de sereia” nas redes sociais, mas a verdade é que o desespero por vezes leva a melhor.

Tenha, contudo, em atenção que pode sair da situação pior do que quando entrou. Isto porque, muitas vezes, depois de cair na trama são-lhes pedidos valores para tratar de custos burocráticos e taxas. Tudo começa com valores pequenos para não “assustar” o burlado.

Depois, vão pedindo mais e mais, à espera que as pessoas enviem mais dinheiro

Foi vítima de burlas com crédito fácil na internet? Faça queixa.

No caso de ser vítima de uma empresa deste género (esperamos que nunca aconteça, especialmente depois de ler este artigo!), saiba que há vários canais onde pode reportar a situação, entre eles:

  • DECO Proteste
  • PGR (Procuradoria-Geral da República)
  • IFCC (Internet Fraud Complaint Center) – departamento do FBI que atua em todo o mundo com o apoio da polícia e outras entidades.
  • Polícia Judiciária (Unidade Nacional de Combate à Corrupção)

Dependendo das informações que cedeu à empresa de crédito, deve contactar igualmente o seu banco.

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