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Já conhece o Ciclope, o sistema videovigilância florestal?

Ferreira do Zêzere foi um dos primeiros municípios do Médio Tejo a receber o Ciclope

A videovigilância é uma ajuda na deteção precoce de incêndios florestais é fundamental para uma resposta rápida dos meios de combate e minimização dos seus impactes.

Conheça um sistema de videovigilância de elevado portencial, desenvolvido com recurso a tecnologia nacional, tendo sido Ferreira do Zêzere um dos primeiros primeiros municípios do Médio Tejo a receber este sistema, de seu nome Ciclope.

A rápida intervenção dos meios de combate, apoiada por uma deteção precoce dos incêndios são factores fundamentais para que estes não atinjam proporções difíceis de controlar.

Atualmente, o principal mecanismo organizado de vigilância e detecção de incêndios florestais é a Rede Nacional de Postos de Vigia (RNPV), coordenada ao nível distrital pelos Centros de Prevenção de Detecção (CPD).

Actualmente os CPD funcionam no período de junho a setembro nos Centros Distritais de Operações de Socorro (CDOS), facto que veio aumentar a eficácia da comunicação e coordenação entre estas duas entidades.

A RNPV é da responsabilidade da Direcção Geral dos Recursos Florestais, sendo composta atualmente por 237 postos de vigia, distribuídos por todo o território de Portugal Continental, dando emprego a mais de 900 pessoas.

Postos de Vigia Florestal
Postos de Vigia Florestal, o passado e o presente

Apesar da RNPV só ter sido criada oficialmente em 1990, o posto de vigia (PV) de S. Lourenço, em Manteigas, o mais antigo do país, foi construído entre 1928 e 1931.

Na década de 30 foram construídos mais três PV na Mata Nacional de Leiria e de um outro na Mata Nacional do Pedrógão. Dos PV atuais, 72% só foram instalados a partir de 1980.

No entanto, o funcionamento da RNPV depara-se ano após ano com uma dificuldade crescente de recrutamento de pessoal, a que não é alheio o facto de se tratar de um trabalho sazonal realizado na esmagadora maioria dos casos em condições abaixo do limiar actualmente aceitável de condições de trabalho.

Segundo dados oficiais, os custos anuais com o funcionamento da RNPV e CPD ascendem a 3.8 milhões de euros, o que corresponde a cerca de 4% das verbas previstas para prevenção, detecção e pré-extinção de incêndios florestais.

Em todas as actividades humanas, a adopção de tecnologia trouxe acréscimo de produtividade e eficácia, facilitando e agilizando essas mesmas actividades.

Também na vigilância da floresta a tecnologia é decisiva na melhoria da eficácia da detecção.

Portugal dispõe actualmente de conhecimento, tecnologia e suficientes projectos piloto que permitem concluir da sua adequabilidade como solução alternativa ou complementar aos métodos tradicionais de vigilância e detecção.

A experiência do INOV em matéria de videovigilância florestal remonta a meados da década de 90, com o desenvolvimento de um projecto piloto para o Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Já nessa época, os responsáveis do Parque se deparavam com questões operacionais de vigilância de uma área tão vasta, pretendendo com o referido projecto testar o conceito de videovigilância como ferramenta complementar de apoio.

Como resultado, o projecto mostrou que a vigilância de grandes áreas pode ser realizada com sucesso recorrendo à videovigilância.

Apesar de ainda hoje os problemas operacionais de vigilância se manterem, o Parque Nacional da Peneda-Gerês não conseguiu levar avante a instalação de um sistema deste tipo.

No entanto o demonstrador permitiu que responsáveis de outras áreas protegidas tomassem consciência do valor que um sistema de videovigilância representa como ferramenta de gestão, não só para vigilância contra incêndios, mas também na vigilância de outras acções que preocupam quem tem que gerir património natural.

Da lista de áreas protegidas que dispõe de sistemas de videovigilância destacam-se o Parque Natural da Arrábida, a Reserva Natural do Estuário do Sado, a Área de Paisagem Protegida do Litoral de Esposende e o Parque Natural da Serra da Estrela.

O Ciclope

O Ciclope é um sistema de vigilância remota desenvolvido pelo INOV, com recurso a conhecimento e tecnologia nacionais.

Existem actualmente em Portugal vinte e duas torres de vigilância, cobrindo uma área de aproximadamente 500.000 ha.

As previsões apontam que durante o presente ano sejam instaladas mais 12 torres de vigilância, que em conjunto com as restantes 22, passarão a cobrir uma área de aproximadamente 1 milhão de hectares.

O Ciclope é um sistema vocacionado para a vigilância de grandes áreas, em particular para vigilância florestal.

Pelas suas características, provou ser igualmente útil na gestão do combate a incêndios florestais, detecção de actividades ilícitas, estudo da natureza entre outras.

O sistema é composto por estações remotas onde é adquirida a informação: imagens, dados meteorológicos, dados de qualidade do ar, etc.

Estas estações denominadas Torres de Vigilância e Aquisição de Dados (TVAD) – são pois os elementos capilares do sistema, ligados ao Servidor Ciclope através de uma rede de comunicações, cujo suporte físico e protocolo dependem do fim a que se destina o sistema.

O equipamento instalado nas TVAD depende também do tipo de aplicação, podendo existir simultaneamente câmaras de visível e infravermelho para vigilância nocturna ou detecção automática de incêndios.

Ciclope no Médio Tejo

No Médio Tejo, o sistema de videovigilância para incêndios florestais é projeto apoiado por fundos da União Europeia.

No âmbito de candidatura aprovada ao POSEUR – Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos, deu-se início ao arranque da sua execução no dia 03-05-2017, dos serviços para “Fornecimento, Instalação e Monitorização de um Sistema de Acompanhamento Remoto e Apoio à Decisão Operacional”.

A operação contemplada a implementação de 12 Torres de videovigilância de apoio à decisão (TVAD), sendo que 3 foram implementadas antes da submissão da mesma.

No plano de trabalho em curso prevê-se a instalação de mais 9 TVAD, resultantes de uma estratégia supramunicipal entre os 13 municípios da CIM Médio Tejo.

Neste contexto o projeto contempla 3 fases de execução, numa 1ª fase: Serra d’Aire, Alburitel, Ferreira do Zêzere, numa 2ª fase: Santa Marta, Abrantes e Bando dos Santos, e na 3ª fase: Cabeço Óbidos, São Macário e São Facundo.

Já conhece o Ciclope, o sistema videovigilância florestal?

Encontra-se no presente em desenvolvimento os trabalhos da 2ª fase e concluídos os da 1ª fase. Estando já operacionais, no Comando Distrital de Operação e Socorro (CDOS) de Santarém, a Torre de Serra d’Aire (Alcanena), Alburitel (Ourém), Ferreira do Zêzere e Santa Marta (Alcanena).

Prevê-se até julho a conclusão dos trabalhos inerentes à 2ª fase, ficando assim operacionais nos CDOS de Santarém e Castelo Branco 6 TVAD. A conclusão da terceira fase está prevista até novembro de 2017.

Este sistema de acompanhamento remoto de apoio à decisão operacional de combate a incêndios permitirá uma gestão mais eficiente dos ativos e tem como objetivo a ampliação e modernização da rede de vigilância e aquisição de dados do sistema integrado de videovigilância para a prevenção de incêndios florestais, já implementados (CICLOPE) nos CDOS da área de abrangência do Médio Tejo.

Em termos de investimento, este projeto é apoiado por fundos da União Europeia através do: Portugal 2020, no âmbito do POSEUR, com uma comparticipação de 85% de Fundo de Coesão, sendo que todas as despesas realizadas e submetidas durante o ano de 2017, sofrem uma majoração de 10%.

O custo total da operação é de 745 002,02€, sendo que a contribuição do Fundo de Coesão (85%) é de 632 489,66€.

Este projeto contribuirá para a concretização da prioridade de investimento 5.2. contratualizada no Pacto para o Desenvolvimento e Coesão Territorial da CIM Médio Tejo.

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